A relação profissional de saúde & paciente: a palavra-chave é CONFIANÇA
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A relação profissional de saúde & paciente: a palavra-chave é CONFIANÇA

Não há dúvidas de que, em qualquer especialidade, o profissional de saúde precisa transmitir confiança ao paciente. Porém, quando esta relação envolve o tratamento de uma doença tão complexa como o câncer, a confiança se torna ainda mais importante. Ela ajuda a construir um diagnóstico e a acompanhar a adesão entre outras vantagens. A prática mostra o quanto uma relação de confiança pode auxiliar no tratamento: "Quando uma pessoa confia no profissional e vice-versa, consegue-se estabelecer um pacto mais harmonioso". Juan Carlos Raxach, aposta que um profissional de saúde consegue conhecer realmente o seu paciente quando há uma relação de confiança mútua. Médico cubano, Raxach conta o quanto a sua formação acadêmica priorizou a relação entre médico e paciente: "Os professores pediam que observássemos as pessoas na sala de espera. Durante as consultas, a orientação era ouvir com atenção. Ao final, construíamos um diagnóstico baseado em todas as informações captadas, a partir de uma visão holística". Atualmente, ele é voluntário do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) do Hospital Rocha Maia no Rio de Janeiro. Durante os aconselhamentos, Raxach incentiva os usuários a escolherem uma pessoa com a qual seja possível estabelecer um diálogo e negociar alternativas para o tratamento. Quando o profissional de saúde tem disponibilidade para ouvir o paciente, fica caracterizado maior interesse pela confiança e pela cura.

UMA RELAÇÃO EM QUE A CONQUISTA É DIÁRIA

Para a médica clínica Valéria Saraceni do Rio de Janeiro, em qualquer tratamento em que o paciente precisa ver o médico com mais freqüência, é necessária uma relação em que os dois possam conversar abertamente. "Este aspecto amplia a possibilidade de diálogo incentivando o paciente a buscar o melhor para o seu tratamento."

Estar bem-informado é o primeiro passo para quem deseja ter qualidade de vida. No caso de pacientes com câncer, não é diferente. Eles precisam receber orientações sobre a doença, o tratamento, as recomendações, os efeitos adversos, os riscos e os benefícios ao qual estão sujeitos. Pacientes informados aderem facilmente ao tratamento e lidam melhor com a doença. A ocorrência de depressão e ansiedade tem se mostrado menor em pessoas que sabem o que esperar da medicina.

O DESAFIO DE RESPEITAR O DIFERENTE

Para manter uma relação de confiança com os seus pacientes, Caio Rosenthal faz questão de priorizar algumas atitudes: "O foco é o bem-estar daquele indivíduo". O psicólogo Marlos Alves, que ministrou treinamentos para profissionais de saúde pelo Núcleo de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, acredita que este seja um dos maiores desafios que o profissional de saúde enfrenta no trato com o seu paciente: "Uma relação entre duas pessoas é uma troca constante de emoções, positivas e negativas. Logo, quando um profissional de saúde atende um paciente com câncer, o contato vai além do nível técnico, envolvendo emoções que consciente ou inconscientemente o paciente suscita naquele profissional", reflete.

"A melhor forma de tratar pacientes cronicamente enfermos é estabelecer vínculos de confiança", explica a oncologista-pediatra do Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (ITACI) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Dra. Ana Lúcia Cornacchioni.

Embora conversar abertamente com o médico pareça simples, esta tarefa pode ser um obstáculo para os pacientes que passam pelo tratamento de doenças onco-hematológicas. O médico não deve esconder nada e fornecer informações claras e seguras, enquanto que o paciente deve saber como abordar suas dúvidas para que o médico não se sinta pressionado ou pense que o paciente não confia nele. "O vínculo de confiança entre médicos e pacientes é uma conquista diária, acontece de forma gradativa", explica a médica.

http://www.saberviver.org.br/index.php?g_edicao=profissional_paciente
http://www.abrale.org.br/abrale/imprensa/interno.php?id=120

Daniela Maria de Souza Koteski
Psicóloga - CRP/07131-7